Como criar um QR Code que funciona (e que não falha)
Um QR Code bonito que não lê é inútil. Aqui ficam as regras de tamanho, cor e margem, os tipos de conteúdo e os cuidados de segurança.
O que é, na prática
Um QR Code é um código de barras bidimensional que guarda informação num quadrado de pontos pretos e brancos. Quando apontas a câmara do telemóvel, o código é lido e o conteúdo é mostrado: um link, um texto, um contacto, uma palavra-passe de Wi-Fi. Foi criado no Japão, nos anos 90, para acompanhar peças em fábricas, e ganhou popularidade com os smartphones e, mais tarde, com a pandemia, quando os menus em papel foram substituídos por códigos.
Os cantos e os pontos de calibração
Os três quadrados grandes nos cantos servem para o leitor perceber a orientação do código, e por isso ele pode ser lido de qualquer ângulo. Os pequenos padrões no interior ajudam a corrigir distorções, por exemplo quando o código está numa superfície curva. Estas zonas não devem ser tapadas nem alteradas, e o resto dos pontos guarda os dados.
Correção de erros: porque funcionam com um logótipo ao meio
Os QR Codes têm uma função de correção de erros, em quatro níveis. O nível L recupera cerca de 7% dos dados danificados, o M cerca de 15%, o Q cerca de 25% e o H cerca de 30%. É isto que permite que um código continue legível mesmo com sujidade, rasgões ou um pequeno logótipo no centro. Quanto maior o nível, maior o código, porque precisa de mais pontos. O nosso gerador usa o nível H, que dá margem para pequenos danos.
Tamanho: a regra do 10 para 1
Há uma regra simples para saber o tamanho mínimo: a distância de leitura a dividir por dez. Se o código vai ser lido a 1 metro, deve ter pelo menos 10 centímetros de lado. Para um cartão de visita lido com a mão, um tamanho de 2 por 2 centímetros costuma bastar. Num cartaz lido a 3 metros, procura ter pelo menos 30 centímetros. Quanto mais conteúdo tiver o código, mais pontos terá, e por isso mais precisa de tamanho para se manter legível.
| Onde vai estar | Distância de leitura | Tamanho mínimo |
|---|---|---|
| Cartão de visita | 20 cm | 2 × 2 cm |
| Menu de mesa | 30 a 40 cm | 3 × 3 a 4 × 4 cm |
| Folheto A4 | 50 cm | 5 × 5 cm |
| Cartaz | 3 m | 30 × 30 cm |
Contraste e cores
O código precisa de contraste entre os pontos e o fundo. O mais seguro é preto sobre branco. Cores escuras sobre fundo claro funcionam, como azul-escuro ou verde-escuro sobre branco. Evita cores claras sobre fundo claro, e a inversão (pontos claros sobre fundo escuro), que muitos leitores não reconhecem. Antes de imprimir, testa sempre com mais do que um telemóvel e em condições de luz parecidas com as reais.
A margem em branco
É um pormenor que decide muitas leituras: à volta do código deve existir uma zona livre, chamada zona de silêncio, com pelo menos a largura de quatro pontos. Se o código for encostado a texto ou a uma moldura, o leitor pode não o detetar. Quando o encomendas a uma gráfica, pede que mantenham esta margem.
Que conteúdos podes guardar
O mais comum é um link para um site ou rede social. Mas também podes guardar texto simples, um número de telefone, um email, uma localização no mapa, um contacto completo e até as credenciais de uma rede Wi-Fi. Neste caso, o texto tem um formato próprio, como WIFI:T:WPA;S:nome-da-rede;P:palavra-passe;;, que os telemóveis reconhecem e usam para te ligar. Quanto mais curto o conteúdo, menos pontos tem o código e mais fácil é de ler, por isso usa links curtos sempre que possível.
Estático ou dinâmico
Os QR Codes estáticos, como os que o nosso gerador cria, têm o conteúdo gravado diretamente nos pontos. Não expiram e não dependem de nenhum serviço, mas não podes alterar o destino depois de impressos. Os dinâmicos apontam para um endereço intermédio que redireciona para o destino final, o que permite mudar o link mais tarde e ver estatísticas, mas dependem do serviço que os gerou e muitas vezes são pagos. Se vais imprimir um código em grande quantidade e podes ter de mudar o destino, um dinâmico pode compensar. Se não, o estático é mais simples e mais fiável.
Segurança: o perigo dos códigos falsos
Há uma fraude conhecida como "quishing", em que alguém cola um QR Code falso sobre um verdadeiro, por exemplo num parquímetro ou num cartaz, e leva a pessoa a um site que rouba dados ou dinheiro. Para te protegeres, olha para o endereço que aparece no telemóvel antes de abrir e desconfia de códigos colados por cima de outros, sobretudo em pagamentos. Em contexto profissional, se imprimires códigos, vale a pena usar autocolantes difíceis de sobrepor e verificar os locais com regularidade.
Testes antes de imprimir
Antes de mandar imprimir mil folhetos, faz um teste real: imprime uma amostra no tamanho final, lê com dois ou três telemóveis diferentes, em casa e ao ar livre, e confirma que o destino abre bem. Verifica também se o link funciona em dados móveis e não apenas no Wi-Fi do escritório, e se a página está preparada para o telemóvel. Um QR Code que abre uma página que não se lê no ecrã pequeno é meio caminho andado para o fracasso.
Onde um QR Code faz sentido e onde não
Funciona bem quando poupa esforço: um menu de restaurante, um link para as instruções de um produto, um cartão de visita digital, um cartaz que leva ao formulário de inscrição. Faz menos sentido quando o leitor está ao volante, em movimento ou sem rede móvel, como num túnel ou numa autoestrada. E convém nunca depender só do código: junto dele, escreve o endereço curto em letras pequenas, para quem não consegue ou não quer ler o código.
Acessibilidade e imprimir bem
Dá ao código uma etiqueta clara, como "Aponta a câmara para ver o menu", para que as pessoas saibam o que vão encontrar. Para quem tem dificuldades visuais, um QR Code pequeno e sem contraste é uma barreira, por isso prefere tamanhos generosos e uma boa impressão. Na gráfica, pede PNG ou, se possível, um formato vetorial, e evita redimensionar a imagem com perdas, que torna os pontos desfocados e difíceis de ler.
Para criar o teu código, usa o gerador de QR Code, onde podes escolher o tamanho e a cor e descarregar em PNG. Se vais partilhar o Wi-Fi de casa com um QR Code, o guia sobre como criar uma palavra-passe forte ajuda a escolher uma boa.
Perguntas frequentes
Que tamanho deve ter um QR Code?
Pelo menos um décimo da distância de leitura. A 1 metro, 10 cm; num cartão de visita, cerca de 2 por 2 cm.
O QR Code expira?
Os estáticos não expiram, porque o conteúdo está nos próprios pontos. Os dinâmicos dependem do serviço que os gerou e podem deixar de funcionar.
Posso pôr um logótipo no meio do código?
Sim, desde que o código tenha um nível de correção de erros alto e o logótipo não cubra mais de uma pequena parte. Testa sempre a leitura.
Que cores posso usar?
Escuro sobre claro. Preto sobre branco é o mais seguro. Evita cores claras ou fundos escuros com pontos claros.
Como me protejo de QR Codes falsos?
Vê o endereço que aparece antes de abrir, desconfia de códigos colados sobre outros e não introduzas dados sensíveis em sites que não reconheces.