Como saber quanto sobra de um mês TVDE
Começa pela faturação: viagens por dia × dias trabalhados × valor médio por viagem. Depois retira combustível ou carregamentos, renda ou comissão, manutenção, seguro, Segurança Social e uma reserva de IRS. A calculadora mostra cada parcela para poderes trocar estimativas por valores do teu contrato.
| Parcela | O que representa |
|---|---|
| Faturação bruta | Receita antes de custos e impostos |
| Custos operacionais | Combustível, renda, operador e outros |
| Segurança Social | Contribuição estimada do independente |
| Reserva de IRS | Valor separado para não chegares à declaração sem liquidez |
| Líquido por hora | Lucro estimado ÷ horas trabalhadas |
Autoria e revisão: Equipa SolveSmart · Atualizado em 27 de setembro de 2026 · Consulta também o guia sobre quanto ganha um motorista TVDE.
Bruto não é líquido — e a diferença é grande
Muitos motoristas TVDE olham para a faturação e pensam que é o que ganham. Mas a sério, do bruto ainda saem combustível ou energia, manutenção, seguro, a Segurança Social e o IRS. Esta calculadora mostra o caminho completo, do que faturas ao que realmente fica no bolso.
Segurança Social dos independentes
Como trabalhador independente, a contribuição é de 21,4% aplicada sobre 70% do rendimento dos serviços — ou seja, cerca de 15% do que recebes. É um valor obrigatório e é por isso que vale a pena reservá-lo todos os meses, em vez de ser apanhado de surpresa no trimestre.
A reserva de IRS
Carro próprio, alugado ou via operador?
A forma como trabalhas muda bastante o teu líquido, para o mesmo volume de viagens. Com carro próprio, ficas com toda a faturação menos custos diretos — a opção que normalmente rende mais, mas exige capital inicial e assumes sozinho o risco de manutenção. Com carro alugado, pagas uma renda semanal fixa (tipicamente entre 180€ e 350€, consoante o carro e a região) que entra sempre, mesmo em semanas fracas — sem entrada inicial, mas com um custo fixo que pesa mais quando faturas menos. Via operador, entregas uma percentagem da faturação (normalmente entre 40% e 60%) em troca de o operador tratar do carro, seguro e manutenção — mais simples, mas o corte na faturação é permanente e proporcional, não fixo.
O IRS depende do teu rendimento anual total, do agregado e das deduções, por isso aqui é uma reserva estimada, não o valor exato. No regime simplificado, a maior parte dos motoristas é tributada sobre 35% do rendimento. Guardar 10–15% por mês costuma ser uma almofada segura — confirma sempre com um contabilista.
Perguntas frequentes
Quanto ganha um motorista TVDE em Portugal?
Varia muito com as horas, a cidade e os custos. O líquido real costuma ser bastante abaixo da faturação — esta ferramenta ajuda-te a ver o teu caso concreto.
Compensa mais ter carro próprio, alugar ou trabalhar com operador?
Depende do teu volume de faturação e da tua tolerância a risco. Carro próprio rende mais a longo prazo se conseguires manter o volume de viagens estável, mas exige capital e assumes tu a manutenção. Alugado dá previsibilidade de custo mas pesa mais em semanas fracas. Operador reduz a complexidade mas o corte é permanente. Usa o seletor acima para comparar os três com os teus próprios números.
O que é o rendimento líquido no regime simplificado (categoria B)?
No regime simplificado, o Estado assume que 35% do que faturas corresponde a lucro real para efeitos de IRS — os outros 65% são considerados despesas automáticas, mesmo que as tuas despesas reais sejam diferentes. É esse rendimento líquido para efeitos fiscais que entra na declaração, e não é o mesmo que o dinheiro que efetivamente sobra depois de pagares combustível, seguro e as próprias contribuições.
Há diferença entre trabalhar para a Uber ou para a Bolt?
A maior diferença está na comissão que cada plataforma retém — normalmente mais alta na Uber do que na Bolt — e no volume de pedidos, que varia por zona e por hora do dia. Muitos motoristas usam as duas ao mesmo tempo, aceitando o que aparecer primeiro, precisamente para não depender só de uma.
É grátis?
Sim — grátis, sem registo, nada é guardado.
Como ler o resultado sem te enganares
O número mais importante não é só o “líquido do mês”. Confirma se a calculadora está a mostrar o valor depois dos custos que realmente suportas: combustível ou carregamento, renda do carro, comissão do operador, manutenção, seguro e impostos. Se uma parcela estiver a zero porque ainda não sabes o valor, o resultado fica otimista.
Também separa o dinheiro disponível do rendimento fiscal. No regime simplificado, o IRS usa regras próprias e a Segurança Social é calculada a partir da declaração trimestral. Um motorista pode ter 2.000€ disponíveis depois das despesas num mês e ainda precisar de reservar dinheiro para obrigações que só chegam mais tarde.
Três cenários para comparar
| Cenário | Faturação mensal | O que deves observar |
|---|---|---|
| Semana fraca | 1.200€ | Os custos fixos ocupam uma fatia grande |
| Mês normal | 2.000€ | Compara líquido e líquido por hora |
| Mês forte | 3.000€ | Reserva mais para IRS e manutenção |
Com 1.200€ de faturação, uma renda semanal de 220€ pesa muito mais do que num mês de 3.000€. É por isso que “quanto sobra” não tem uma resposta fixa: as viagens podem aumentar, mas a renda, o seguro e a prestação do carro continuam a correr.
Uma rotina simples no fim de cada semana
Regista quatro números: faturação recebida, quilómetros feitos, custos pagos e horas online. Ao fim de quatro semanas, calcula a média. Se o líquido por hora cair apesar de trabalhares mais, procura a causa: viagens longas com retorno vazio, mais tempo parado, preço de combustível, comissão ou um custo fixo que ficou escondido.
Para uma estimativa mais realista, usa a calculadora de viagem para avaliar corridas, a calculadora de custo de combustível ou a calculadora de custo EV para o carro e a calculadora de Segurança Social para a contribuição trimestral.